quinta-feira, 15 de junho de 2017

ANJOS HUMANOS


Anos atrás fui a uma prova de concurso público em Sobral, onde tive que pernoitar. Só não fiz algo básico: a reserva em pousada ou hotel. Confiava que, numa cidade do porte da Princesa do Norte, haveriam vagas suficientes quando lá chegasse. Mas não haviam. Cheguei no sábado pela tarde e a prova era domingo de manhã. Todos dormitórios reservados. A cidade lotada de candidatos, vindos de todos cantos, inclusive de fora do Estado; gente chorando, gente que não encontrava mais vaga em lugar nenhum. Era o estresse véspera de prova.

Lembro-me que, logo na primeira pousada que fui - a única que eu tinha o contato - um senhor ali hospedado de pronto resolveu me ajudar. Sua profissão: mágico de festa infantil. Estava de passagem por Sobral. Mas era um mágico que falava o tempo todo sobre Jesus Cristo, um evangelista. Era já fim de tarde e seguimos a pé, pelo centro da cidade, procurando vaga. Não encontramos. Foi muita inexperiência minha.

Naquele dia fiquei apreensivo, mas ainda assim havia paz em mim, até estranhei, depois do episódio. Senti uma segurança interior tão forte e rara que, quando caminhávamos na rua, tive até vontade de rir da situação, andando e pensando: “vou ficar quieto e ver o que Deus vai fazer”. Voltamos então e aquele mágico conseguiu, conversando muito com o proprietário, abrir uma exceção e me alocar na sua pousada. No fim daquele dia abri as Escrituras e caiu nessa passagem: “pois Tu me tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia” (Salmo 59:16).

Deus sempre coloca anjos em nossos caminhos; nós é que nem sempre percebemos. Em sua maioria são seres espirituais, mas há também aqueles de carne e osso, anjos humanos, humanos anjos, caminhando contigo na rua, em casa, no trabalho, oferecendo ajuda, despretensiosamente, a quem precisa. É fascinante quando encontramos àqueles a quem Deus usa para o nosso cuidado, mas igualmente é compensador quando nós também nos dispomos a sermos anjos nas mãos do Senhor, em favor de quem carece de auxílio, no momento da precisão.


Cesário Pinto


Itapajé – CE, 07 de Junho de 2017.

Um comentário:

Henrique Veras disse...

Tenho uma história parecida do meu concurso mas depois te conto...