sábado, 18 de julho de 2009

MICHAEL JACKSON E A SOLIDÃO DE TODOS NÓS


Desde a morte de Michael Jackson que tive a intenção de escrever alguma coisa sobre o astro pop. Esperei assim passar alguns dias, pesquisando, conhecendo a existência dele, sua passagem pela vida. Consegui tirar de todo esse conjunto de informações várias reflexões sobre a vivência humana e sobre tudo o que somos.

Michael passou pela vida sem conhecê-la da maneira mais abundante. Mesmo tendo sido no ápice de sua carreira um multimilionário, nunca conseguiu superar as dores da construção humana. Sobreviveu a uma infância perdida diante das cotidianas surras e humilhações de um pai grosseiro e violento, mas nunca superou os traumas e complexos dessa época. Através da música, com a qual teve uma relação tão profunda e íntima...

“But never two lovers like music, music and me…
Mas nunca (houve) dois namorados como a música, a música e eu...”


...Vieram também a fama e a dinheiro, que o fizeram perder a confiança nas pessoas, já não podendo mais discernir os verdadeiros amigos dos aproveitadores de última hora. Preferiu a amizade das crianças, essas sim, eram pessoas dignas da sua confiança, talvez as únicas pessoas sinceras que ele conheceu.


Inegavelmente Michael Joseph Jackson foi o maior fenômeno da musica pop de todos os tempos. Um showman. Um artista completo e referência para as centenas de artistas, cantores e dançarinos que se seguiram nas últimas décadas. E quem conheceu de perto todas fases da carreira de Michael sabe muito bem que grande parte de tudo que hoje conhecemos no showbussines, tanto no estilo de música como na dança e clips deve-se ao talento dele. Por incrível que pareça até em shows gospel existe a influência de MJ, seja na batida, na coreografia, nos cenários, no ritmo rápido, na desenvoltura com o público.

Mesmo com tudo isso Michael possuía algo que é inerente a todo ser humano, seja branco, preto, homem, mulher, jovem, velho, rico, pobre, crédulo e ateu: ele possuía a solidão comum. Sabe aquele sentimento que, de vez em quando sentimos que falta algo em nossa existência? Não, não estou falando do sentimento que há em pessoas não-realizadas, infelizes e desapontadas. Estou falando de uma sensação inerente a todo ser humano. Também não me refiro ao famoso “espaço coronário que somente pode ser preenchido por Deus”, pois sei que há crentes em Deus que também passam por essa situação. Parece-me que desde que a raça humana caiu da Graça no Paraíso do Éden que padecemos de uma angústia existencial, uma dor que todos nós já a conhecemos bem. É uma solidão diferente de todas as outras solidões. É uma dor que chega, em muitas ocasiões, até mesmo em momentos de realizações, conquistas, vitórias... a ponto de você indagar-se: como já posso estar triste se há cinco minutos atrás estive tão bem e realizado?

O certo é que as Escrituras cristãs afirmam que há fatos que desconhecemos, mistérios que serão revelados com o passar das eras e muitos outros somente quando surgirem o Novo Céu e a Nova Terra. Ali serão enxugadas todas as lágrimas, principalmente as invisíveis, as mais doloridas, as da alma, as do espírito. Ali não será a Neverland, Terra do Nunca, mas sim a Terra do Eterno, do Sempre. Gostaria muito que Michael conhecesse essa Terra. Deus o saberá.

Deus nos abençoe!

Um forte abraço,

Cesário C N Pinto.

Itapajé - Ce, 18 de Julho de 2009.

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